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Koch pede cautela com as máquinas unificadas

Jornal do Comércio
22/06/2010

Lojistas rejeitam a ideia de exclusividade proposta pelas empresas credenciadoras de cartões de crédito

* Adriana Lampert

As primeiras máquinas unificadas de cartões de crédito nem chegaram ao mercado e já há um impasse entre lojistas brasileiros e as empresas operadoras de cartões. Enquanto as credenciadoras insistem na fidelização, os empresários rejeitam a ideia, alegando perda de poder de barganha durante o prazo de exclusividade e, em última instância, lesão ao consumidor. Se por um lado os varejistas querem aproveitar a unificação das bandeiras em uma só máquina para diminuir os custos com os equipamentos e baixar as taxas de descontos das operadoras, por outro as credenciadoras utilizam a estratégia de antecipar o fechamento do contrato para evitar concorrência. Para tanto, chegam a oferecer descontos que vão de 80% até 100% na locação das máquinas.

A corrida pela fidelização está atrelada ao fato de que no próximo dia 1 de julho as operadoras Redecard, Cielo e Santander serão as pioneiras na disponibilidade das novas máquinas processadoras com capacidade de centralizar todas as operações de cartão de crédito. Na avaliação de Roque Pellizzaro Júnior, presidente da Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL), a competitividade com a entrada destes players modernos reduzirá naturalmente os preços da locação dos equipamentos. "Acredito que o valor do aluguel tende a chegar a zero, porque a função da credenciadora não é ganhar com isso. A locação é uma atividade meio e não a atividade fim", observa.

Sem precisar mais utilizar um equipamento específico para cada bandeira, os lojistas devem, ao menos, economizar nos aluguéis das máquinas. Atualmente, cada equipamento custa cerca de R$ 120,00 por mês. Pelizzaro Júnior diz que a CNDL está alertando os lojistas para não assinarem fidelização, principalmente nos primeiros 120 dias, para que possam negociar taxas e prazos de reembolsos com as operadoras. "É preciso barganhar, para o preço diminuir", alega, lembrando que esta é uma conquista do setor que deverá gerar uma economia de R$ 1,2 bilhão por ano.

A tentativa de fidelização está acontecendo em todo o Brasil. "Com o fim do monopólio, as operadoras estão querendo manter por mais tempo uma rentabilidade mais elevada e reduzir a evasão das empresas de sua bandeira", avalia o presidente da CNDL. Ele ressalta que se os comerciantes aderirem ao esquema, irão prejudicar as negociações possíveis que a unificação das bandeiras em uma só máquina possibilita. "Por isso, a entidade está orientando os comerciantes a não aceitarem as propostas e esperarem que as operadoras travem uma guerra de preços", explica.

"Nossa sugestão é que se tenha um pouco de calma antes de assinar os novos contratos, para que possa ser repassado um preço menor ao consumidor final", concorda Vítor Augusto Koch, presidente da Federação de Câmaras de Dirigentes Lojistas (FCDL). Ele ressalta que o setor também precisa resolver a questão da retenção dos valores das compras por parte das operadoras. Como atualmente os lojistas precisam esperar cerca de 30 dias para serem reembolsados, as entidades representativas estão se mobilizando para que o prazo de pagamento aos empresários do varejo seja de sete dias.

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